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Compreendendo os Impactos Potenciais do Conflito Ucrânia/Rússia

Por Redação


Em Transportes, vemos dois grandes impactos sub-setoriais decorrentes do atual conflito entre Rússia e Ucrânia: (i) impactos positivos para a Rumo como transportadora de commodities agrícolas destinadas à exportação (com impacto positivo parcial também para a Hidrovias do Brasil); e (ii) implicações negativas para as Companhias Aéreas (Azul e Gol; ratings neutros reiterados). Reiteramos a Vamos como nossa preferência no setor, com base em sua posição de liderança em um mercado ainda inexplorado (garantindo poder de precificação no atual ambiente inflacionário).


Impactos positivos para a Rumo (e parcialmente positivos para a Hidrovias do Brasil)


Os altos preços dos combustíveis beneficiam a dinâmica competitiva da Rumo. Apesar da alta exposição da Rumo aos custos de diesel (~30% de sua base de custos caixa), seus contratos take-or-pay possuem cláusulas de repasse para o preço do diesel e os seus concorrentes têm uma exposição ainda maior ao diesel (não apenas os próprios caminhoneiros [mais óbvio] mas também o Arco Norte [rota alternativa de transporte, incluindo a Hidrovias do Brasil] devido ao maior trecho rodoviário para chegar ao embarque hidroviário de exportação de soja e milho advindos do Mato Grosso).


Os altos preços das commodities em moeda local (BRL) são positivos para as perspectivas de volume de transporte. A maior parte dos volumes da Rumo está relacionada ao transporte de exportação de soja e milho, e os altos preços dessas commodities em moeda local (reais) tendem a incentivar os agricultores brasileiros a aumentar a produção, além de ampliar o valor agregado dos produtos tirando pressão dos custos logísticos na cadeia de valor da exportação. Ressaltamos que esse impacto também é positivo para a Hidrovias do Brasil devido à sua alta exposição às exportações de commodities advindas do estado de Mato Grosso.



Implicações negativas para as empresas aéreas


As condições macroeconômicas tornam-se mais desafiadoras para o setor aéreo. Vemos uma perda (ainda que temporária) da correlação inversa histórica entre a moeda brasileira (o real) e os preços do petróleo, que normalmente funciona como uma proteção (hedge) natural para a exposição das companhias aéreas a esses fatores macroeconômicos (moedas de mercados emergentes, incluindo o real, estão se depreciando ao mesmo tempo em que os preços do petróleo estão aumentando por causa dos riscos de redução de oferta). As companhias aéreas brasileiras Azul e Gol têm alta exposição ao dólar, tanto em custos (~30-35% dos custos totais) quanto em posições de dívida (~90% da dívida bruta total), bem como uma parcela significativa de sua base de custos em dólar relacionada a encargos com combustível (~20-25% dos custos totais).


As companhias aéreas têm “linhas de defesa” para enfrentar os desafios macroeconômicos. Dada a sua alta exposição a fatores incontroláveis, as companhias aéreas têm três maneiras principais de superar eventuais deteriorações das condições macroeconômicas (detalhes abaixo).



Como as Aéreas se Defendem de Fatores Incontroláveis?


O desempenho financeiro da aéreas brasileiras é afetado por três fatores principais: (i) Flutuações cambiais (BRL vs. USD), já que quase todas as receitas são contabilizadas localmente, em BRL, enquanto ~50-60% dos custos e mais de 90% da dívida bruta são denominados em dólares americanos; (ii) preços de combustível de aviação, uma vez que ~20-25% dos custos estão relacionados ao consumo de combustível; e (iii) atividade econômica brasileira, uma vez que as receitas (tanto de negócios quanto de lazer) estão amplamente expostas à ciclicidade econômica.


Vemos três principais “linhas de defesa” para as companhias aéreas a partir desses fatores incontroláveis mencionados, que abordamos em detalhes na Figura 3.





*Fonte: Pedro Bruno e Lucas Laghi para portal XP EXPERT